Crime brutal tirou a vida de atriz de Marimar, uma das mais reverenciadas negras mexicanas

Ativista, Júlia Marichal foi esquartejada pelo próprio assistente no ano de 2011

Publicado em 23/8/2021
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Esquartejada! Foi assim que uma das mais celebres atrizes de sua geração, Júlia Marichal, de 67 anos, foi encontrada em um depósito de água, no quintal de sua casa, localizada no bairro Guayatla, no município de Magdalena Contreras, Cidade do México. O crime brutal ocorreu em dezembro de 2011 e abalou a família da atriz e a cena artística.

A atriz, intérprete da serviçal Coração, em Marimar, que trabalhava na fazenda dos Santibáñez e foi uma confidente e defensora da protagonista vivida por Thalía, teve cabeça e mãos decepadas. Partes do corpo foram separados, enrolados em panos e colocados em sacos de lixo. Um dos assassinos? Pedro Osvaldo Castellano, o próprio assistente pessoal da artista, condenado a mais de 50 anos de prisão.

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Cena de Marimar com Júlia Marichal (Coração), Thalía (Marimar) e Toño Infante (Nicanor) (Reprodução: Televisa S.A.)

Quem foi Júlia Marichal?

A história de Júlia Marichal se funde com o cinema e o ativismo no México. Ela era filha da atriz cubana Esther Martínez Peñate e um dos mais importantes escritores mexicanos de toda a história, Juan de la Cabada. Atuou em mais de uma dezena de novelas, como Mundo de Jugetes (1974), Marisol (1996) e a polêmica La Chacala (1997).

Marichal era chamada de “la negra corazón” pelos mexicanos, uma expressão controversa e racista, que saiu da novela Marimar e tomou a vida real. Diferente da Coração, Julia era uma atriz extremamente culta e fazia parte do convívio da nata de celebres nomes da historia como Frida Kahlo e o pintor e seu marido, Diego Rivera, e Salvador Novo. Todos eles foram criados juntos.

Toda a família de Júlia Marichal é formada por artistas. Kalimba, por exemplo, um dos mais famosos cantores mexicanos, é seu sobrinho. Ele, inclusive, apareceu no ultimo capitulo de A Feia Mais Bela. A primeira novela de Júlia foi O Direito de Nascer, em 1966. Mas o personagem que abriu as portas para o mundo foi a Coração, de Marimar, novela que está de volta ao Brasil, agora através do Globoplay.

Em 97 ela repetiu papel de serviçal na novela estrelada por Érika Buenfil, que no Brasil teve Bárbara Paz como protagonista. No ano seguinte veio o seu papel mais diferente e emblemático – a da bruxa Dominga em La Chacala, uma novela de temática sobrenatural que o povo mexicano associa a sua morte.

Ao término de La Chacala, ficou mais que provado que Júlia tinha excelência como atriz. No entanto, ela optou por dar uma pausa na carreira, tanto na TV quanto no cinema, para investir tempo na curadoria dos textos do pai, que já havia falecido.

Vivendo com o inimigo!

Por ser muito cultuada pela comunidade negra de seu país, ela também se tornou uma ativista. Para ajudá-la na nova empreitada profissional, ela contratou um assistente: Pedro Osvaldo Castellano. No entanto, o processo para ordenar o legado de Juan de la Cabada foi repleto de mistérios e conflitos.

Mesmo semanas antes do assassinato da atriz, atos de vandalismo foram registrados nas instalações da Emaap (Escola Mexicana de Arquivos), de Ramón Aguilera Murguía e Jorge Nacif Mina. Júlia tinha um outro sobrinho que a ajudava: Mauricio Marichal. Ele, por sua vez, viveu uma relação conturbada com Nacif Mina, que se caracterizou por brigas acirradas.

Mauricio também viveu algumas divergências trabalhistas com sua tia, o que posteriormente levou a traçar uma linha de investigação a certa do assassinato dela. Pouco tempo depois, parentes e amigos estranharam o sumiço de cinco dias de Júlia Marichal.A ultima vez que ela tinha sido vista foi em 12 novembro de 2011.

Júlia era popular e muito bem quista em sua comunidade. Sua ausência não passou despercebida por seus amigos, já que ela era uma internauta consumada e não era normal que ela não postasse mensagens ou que não atendesse telefonemas e mensagens de amigos ou familiares.

A cunhada de Júlia, María Luisa Cancino, então, no dia 1 de dezembro, foi quem deu queixa na policia. Por ter divergido em público com a tia, Mauricio foi interrogado e preso sob suspeita de homicídio, dando início a um pesadelo para o sobrinho da atriz, que aos 30 anos, ficou detido injustamente por quase um mês.

Pressionado durante o interrogatório preliminar, Maurício caiu em contradições e, diante das provas circunstanciais, foi detido novamente. Em novas declarações perante a autoridade judiciária, o rapaz foi destituído como suposto participante do homicídio e libertado nas horas seguintes.

O corpo de Júlia Marichal, já em avançado estado de decomposição, foi descoberto na área externa da casa onde morava, dentro de sacos de lixo e exalando cheiro muito ruim. O corpo da atriz estava enrolado em uma coberta num desses sacos. E como citado acima, a cabeça da atriz estava em outro saco de lixo e cada uma das mãos em sacos diferentes.

Pedro Castellano e a esposa Ana Betsaida Duarte Acosta, mataram a atriz Júlia Marichal no ano de 2011 (Reprodução: Televisa S.A.)

Pedro Castellano, o assistente pessoa dela, e a esposa dele, chamada Ana Betsaida Duarte Acosta, figura próxima à atriz, foram presos e confessaram o assassinato em 28 de dezembro. Pendencia financeira foi a causa alegada por eles. Júlia Marichal foi sufocada com um travesseiro entre 12 e 13 de novembro. Posteriormente, ela foi brutalmente espancada com um pedaço de madeira, mutilada e esquartejada.

Reza a lenda lá no México que, La Chacala, a sombria novela em que Júlia Marichal interpretou uma bruxa, tinha uma maldição que acabou com sua vida e com a de outros atores que nela estiveram, incluindo a da própria protagonista, Christian Bach, que veio a falecer em 2019, ainda muito nova, com 59 anos, por insuficiência respiratória. A morte do ator Miguel Ángel Ferriz, ao 62 anos, no ano de 2013, também é associada a maldição dessa novela.

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