Confeiteira do Bake Off Brasil acusa o SBT de intolerância religiosa e manipulação: “Tive que me impor”

Tatita Batista teve falas censuradas e foi obrigada a mudar nome de bolo

Publicado em 29/7/2021
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É bem manipulado mesmo“, proferiu a Cake Desinger Talita Batista, de 34 anos, sobre o Bake Off Brasil, atração do SBT a qual participou no ano passado e que está em sua 7ª temporada, estreada no último sábado (24). Moradora da Cidade Tiradentes, distrito do município de São Paulo, a profissional relatou em entrevista ao canal Cachorro de Feira, o preconceito religioso vivido dentro da emissora durante sua permanência na competição.

Dona de uma loja de confeitaria e decorações, Talita, que é umbandista, foi selecionada entre mais de 30 mil inscritos do programa, mas encontrou dificuldades para execução do trabalho e ficou e desvantagem no programa após ser impedida pela produção do Bake off Brasil de citar sua religião e ter sido eliminada da competição propositalmente, acredita ela, antes da confecção de um bolo com referências de várias religiões.

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Quando me inscrevi neste programa, eu estava ali para participar e ser julgada, independe do resultado. E ao contrário de alguns colegas que bateram de frente, eu aceitei as críticas. Eu não sou muito de aceitar críticas, mas eu só aceitei porque eu estava ali dando a minha cara a tapa.

E só comecei a retrucar quando realmente falaram da minha religião em algum momento. Tive que me impor, porque se a pessoa tem dificuldade de me respeitar, eu imponho respeito, não tenho muito problema com isso.

Quando falaram da minha religião e quando eu comecei a querer apresentar os temas dentro daquilo que eu acha que ia ser legal, eles começaram a me barrar. No caso do ‘Bolo da Pombagira’, eles me fizeram mudar o nome pra ‘Moça’“, recordou Talita, que na edição chegou a encrencar com a participante Thaís Macêdo.

A discussão entre as duas teve repercussão na internet, mas ficou sem sentido no ar. Um ano depois, Talita explica o que de fato ocorreu. “Ali parecia que eu estava atacando ela. Mas eu já tinha sido atacada. E era referente a minha religião. E não passou isso.

Ao contrário dos demais colegas de programa, Talita alega ter sido silenciada sobre a sua própria história. Ela, que começou no setor vendendo pudim e brigadeiro nas ruas, mesmo sendo fã da atração e grata pela oportunidade, também afirma que o Bake Off Brasil é um programa manipulado.

É bem manipulado mesmo, porque no dia desse meu bolo [da Pombagira], a gente tinha que fazer um vaso de flores. E eu queria agradecer a Pombagira. Então eu fiz um vaso de flores pra ela. Mas eles disseram que não. E ai eu coloquei ‘Bolo pra Moças’. E os entendedores entenderão.

Quando eles [Beca Milano e Olivier Anquier] foram na minha bancada, eles disseram: ‘Vocês está tão caladinha hoje, não vai falar nada?’. Mas eu já estava deixando de falar, eles não me davam oportunidade falar o porquê eu estava ali. Ao contrário de outro [participante] que podia falar de Nossa Senhora de Nazaré.

Mas a grande indignação de Talita ocorreu um tempo depois, quando em determinado episódio levado ao ar, a edição excluiu por completo os elogios de Beca Milano sobre um bolo feio por ela, que refletia sua própria fé. “Tinha alguém no ponto, acredito eu que a ‘diretora maior’, dizendo: ‘Vai dando corda pra ela, fala pra ela falar tudo que tem no coração referente a religião dela, porque vai pro ar.

Aquele dia pra mim foi maravilhoso, porque eu falei tudo o que eu podia. Mas na edição, nada teve e não foi pro ar, e o que foi estava fora de contexto, como quando a Beca [Milano] falou: ‘Todo este amor que você disse pra mim, traduz no seu bolo’. Mas que amor que eu falei que não passou? Esse amor todo.”

Segundo uma pesquisa do Datafolha publicada no ano passado pelo jornal “Folha de S.Paulo”, o Brasil tem metade de sua população composta por pessoas que se declaram católicas. Evangélicos representam 31%; espíritas, 3%; Umbanda, Candomblé e outras religiões afro-brasileiras somam 2% da população, e judeus são 0,3%. Além disso, 10% dizem não ter religião, 2% se identificam com outra religião e 1% se define como ateu.

Os casos de intolerância religiosa são registrados via Disque 100, número de telefone do governo criado em 2011, que funciona 24 horas por dia para receber denúncias de violações de direitos humanos. Entre 2015 e o primeiro semestre de 2019, foram 2.722 casos de intolerância religiosa – uma média de 50 por mês.

Para Talita, após algumas intenções criativas na confecção dos doces, ela percebeu resistência da produção. “[O Bake Off Brasil] Parece mas não é. E ela [Thaís] se manteve no programa até o final justamente porque ela estava proporcionando o que eles queiram, que era uma personagem alegre, falante, mas chega uma hora que não dá. O próximo episodio que ia chegar, era uma prova com dois preparos de doces.

E o meu tema seria a ‘intolerância religiosa’. A minha intenção era fazer uma bíblia, um crucifixo. A bíblia representando os cristões e os evangélicos, o crucifixo o católico. Então eu ia fazer as ferramentas dos orixás, é o que iria prevalecer, e ai eles não deixaram.

E este programa ia pro ar depois da repescagem, e eu sai um programa antes da repescagem. E ai na prova da repescagem eu acho que fui super bem, eu tinha super chance de voltar. Mas não podia voltar […] se você voltar naquele programa, no dia que eu sai, minha torta estava perfeita […]

E eu fui muito pra berlinda e eu acho que era por falar o que eu acho que tinha de falar. Mas o coleguinha estava pior […] e não me arrependo de nada. Fiz bolo pra Pombagira, pros eres, não podia falar, mas eles sabiam que era pra eles.”

A coluna entrou em contato com Talita Batista, que afirmou ser grata pela oportunidade de ter participado do programa, mas que não quer falar mais do assunto, se resumindo apenas a dizer que o tema sobre intolerância religiosa precisa sim ser debatido.

Procurado também pela coluna, o SBT não comentou sobre o assunto.

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