Crítica

Sem empolgar, BBB 22 se divide entre “turistas” e jogadores trapalhões

Os participantes do reality show não conseguem criar uma narrativa para o jogo

Publicado em 08/02/2022

Dentro da pouca movimentação observada no BBB 22, o fato é que ninguém aguenta mais aquela cantoria dos participantes do reality show da Globo. O festival da canção otimista realizado a cada passo do game é de desanimar qualquer cidadão. Isso é um problema para o programa, que ainda busca uma narrativa para envolver o espectador. O BBB é uma novela e precisa de um enredo.

E um bom enredo, sabemos bem, se faz com bons personagens. Algo que o BBB 22, até aqui, não tem oferecido. Isso porque os participantes, atualmente, podem se dividir em grandes grupos: o grupo dos “turistas” e o grupo dos jogadores trapalhões. E nenhum deles tem sabido oferecer grande entretenimento.

O grupo dos “turistas” é formado por jogadores que parecem ter ido ao BBB a passeio. Neste grande grupo, há plantas, como Brunna Gonçalves, ou pouco comprometidos, como Pedro Scooby, além de jogadores inexpressivos, como Lucas, Bárbara ou Eslovênia. São personagens que apenas observam a paisagem e esperam ser empurrados para o jogo.

Do outro lado, há um grupo menor de jogadores atrapalhados. São personagens que até tentam movimentar o jogo, mas, como não têm muito talento para isso, acabam metendo os pés pelas mãos. Rodrigo, o segundo eliminado do BBB 22, representa bem este grupo, pois tentou fazer uma grande articulação sem perceber que estava lutando contra moinhos de vento. Foi praticamente um herói quixotesco.

Mas quem surpreendeu ao entrar neste grupo nos últimos dias foi Jade Picon. Até então apenas observando, Jade partiu para a ação ao conquistar a liderança da semana. E deu uma cartada ousada ao indicar Arthur Aguiar para o paredão alguns dias depois de dizer a ele que não faria isso. Depois da indicação, Jade comemorou sozinha, certa de que fez uma grande movimentação.

No entanto, a casa está isolando Arthur e, consequentemente, o estão fortalecendo. Isso mostra o quanto os participantes têm uma visão ruim do jogo, daí estarem agindo como verdadeiros trapalhões. O BBB 22, assim, segue sem enredo, sem protagonistas e, por isso mesmo, sem muita graça.

Reviravolta

Como parece cada vez mais difícil esquentar este BBB 22, a direção do reality show tratou de sacar do bolso um plot twist: a casa de vidro. No final desta semana, dois novos participantes entram numa casa de vidro, lá dentro mesmo do BBB, e o público definirá se eles entram no jogo ou não.

Ou seja, o BBB 22 está se inspirando no enredo de novelas e séries, que tratam de lançar novos personagens para trazer novos conflitos à trama, criando reviravoltas. Se vai funcionar, só acompanhando para saber. É a cartada final.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

Leia outros textos do colunista AQUI

Entre em contato com André Santana AQUI ou AQUI