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Crítica de TV

Pouco caso do SBT acelerou deterioração do Bom Dia & Cia

Formato batido, desenhos surrados e trocas de horário acabaram com o programa

Publicado em 01/04/2022
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Apesar de parecer tragédia anunciada, o fim do Bom Dia & Cia não deixa de ter uma parcela de surpresa. Afinal, o SBT sempre foi muito firme em sua decisão de manter uma faixa voltada aos pequenos em sua programação diária. Desde que a publicidade infantil na TV aberta passou a ser regulada, investir em programas para este público deixou de ser lucrativo, daí o desaparecimento dos programas para crianças. Mas o SBT sempre se colocou como um diferencial.

Neste contexto, o Bom Dia & Cia não faturava, mas trazia outros benefícios à grade do SBT. O infantil de Silvia Abravanel deixou de ter concorrentes, concentrando toda a atenção de seu público. Com isso, o programa sempre se colocou como uma importante alavanca na grade, além de cumprir um papel de formação de público.

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Reinando sozinho em seu horário, tendo como concorrente direto apenas o Quintal da Cultura, o Bom Dia & Cia garantiu a vice-liderança para o SBT durante muitos anos. No período de férias, costumava ver seu público crescer ainda mais, fisgando a liderança e dando trabalho às revistas eletrônicas concorrentes. Assim, sua permanência no ar se justificava.

O cenário começou a ficar desfavorável quando o Bom Dia & Cia passou por um processo de sucateamento. O fim dos contratos do SBT com grandes distribuidores de conteúdo afetou diretamente a produção, que deixou de oferecer boas e novas animações e teve que recorrer a desenhos mais antigos e de pouco apelo. Animações do final do século passado, como O Máskara e X-Men Evolution, eram exibidos em looping, num excesso de reprises que aborrecia.

Como se não bastasse os desenhos ruins, as “cabeças” do Bom Dia & Cia também não eram nada convidativas. Sem carisma e com o péssimo hábito de expor sua equipe no ar, Silvia Abravanel se revelou um equívoco como apresentadora da atração. Além disso, o segmento ao vivo sobrevivia de jogos por telefone batidíssimos. O Bom Dia & Cia ganhou este formato em 2007, sob o comando de Yudi Tamashiro e Priscila Alcantara, e não mudou desde então. São 15 anos girando roletas.

Além de se mostrar cada vez mais enfraquecido, o infantil passou a se desgastar com as constantes mudanças de grade do SBT. A estreia do Vem pra Cá, no ano passado, escanteou de vez a produção, de tal modo que a audiência despencou. Houve uma tentativa de resgate este ano, com o Bom Dia & Cia voltando ao horário habitual e lançando um pacote de desenhos inéditos (finalmente!). Mas já era tarde.

Neste processo, o público debandou, e a tentativa de retomada se revelou falida. Bom Dia & Cia não recuperou a audiência dos áureos tempos e não deu qualquer sinal de recuperação. Daí o decreto de seu fim. Um final melancólico para um programa que estava prestes a completar 30 anos, revelou talentos e marcou várias gerações de crianças.

Sem Bom Dia & Cia, o público infantil fica ainda mais órfão na TV. E não adianta dizer que esta audiência migrou para plataformas de streaming: a realidade não é essa e ainda existe uma grande parcela da população que não tem acesso a uma internet de qualidade. É triste.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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