Destaque em Um Lugar ao Sol, Denise Fraga já tentou emplacar série cômica no SBT

A atriz protagonizava E Agora, Lulu?, que teve apenas um episódio exibido

Publicado em 09/01/2022 10:00
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Atriz com poucas novelas no currículo, Denise Fraga tem emocionado o público como a cantora Julia, que tem problemas com álcool que afetam sua relação com a mãe, Ana Virgínia (Regina Braga), e o filho, Felipe (Gabriel Leone) em Um Lugar ao Sol. Muitos se lembram da atriz pelos anos de Retrato Falado, no Fantástico, mas poucos devem recordar que Denise Fraga já foi estrela do SBT, onde lutou para emplacar uma série cômica.

Contratada pelo canal de Silvio Santos em 1994, ano da retomada das novelas nacionais da emissora, Denise interpretou Olga em Éramos Seis (1994), um marco do canal. Depois, viveu Natália em Sangue do Meu Sangue (1995), outro folhetim da mesma “fase de ouro” das novelas do SBT. Em seguida, ela tentou emplacar um projeto de série cômica, algo incomum na emissora até mesmo nos dias de hoje.

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O ano era 1996, e a ideia era de Roberto Talma (1949 – 2015). Na época, Talma era sócio da produtora Fábrica de TV, que vinha desenvolvendo alguns projetos de dramaturgia em parceria com o SBT, como as novelas Colégio Brasil (1996) e Dona Anja (1996). O veterano diretor propôs a Denise uma série cômica que seria protagonizada por uma “faz-tudo”, que foi batizada de Lulu.

“Tive a ideia da personagem olhando os classificados de jornais. Vi aqueles ‘disque-tenha’ e me lembrei de que, quando cheguei em São Paulo, fiquei meio perdido e precisava de ajuda”, disse o diretor à Folha de S. Paulo em 10 de dezembro de 1996. A partir desta ideia, Denise e seu marido, o diretor Luiz Villaça, desenvolveram E Agora, Lulu?, na qual a atriz contracenaria com Cassio Scapin.

“Pensamos em fazer uma história de casal para um programa mensal, mas parece que o Silvio [Santos] achou que deveria ser semanal para emplacar”, explicou Denise ao mesmo jornal. Além de Luiz Villaça, assinava o roteiro o cineasta José Roberto Torero. O programa era centrado em Lulu, personagem de Denise Fraga, uma faz-tudo casada com um repórter de jornal de bairro, Sid (Scapin). No elenco também participavam Wandi Doratiotto (Rafa, colega de Sid) e Claudia Mello (a sogra de Lulu).

Para fazer o projeto ganhar forma, E Agora, Lulu? teve um episódio piloto gravado, que foi ao ar no final de 1996 como um especial de Natal. Com o título Eu Acredito em Duende e em Papai Noel, o programa foi exibido no dia 20 de dezembro de 1996.

Denise Fraga explicou à Folha de S. Paulo que a ideia era fazer um programa popular, mas de humor refinado, muito pautado no cotidiano. “Acredito na TV real. O grande barato do veículo é a realidade das pessoas mostrada da tela de forma divertida”, disse. A atriz também se mostrava preocupada com o futuro do SBT, já que a emissora vinha abrindo mão de produções próprias para investir em enlatados. “A gente precisa fazer alguma coisa para encantar o ‘seu’ Silvio e tirar as [novelas] mexicanas do ar”, afirmou.

Ela ainda reclamou do fato de as TV’s estarem refém do Ibope. “Ainda existe medo do arriscar em TV. Estamos fazendo uma coisa que acreditamos, mas que tem empatia, porque ninguém pode mudar de canal. Temos que atingir a todos com categoria, falar de coisas simples e com profundidade”, finalizou.

Continuação

Após a exibição de Eu Acredito em Duende e em Papai Noel, a equipe de E Agora, Lulu? ficou no aguardo do sinal verde para a continuidade da atração. Mas o sinal demorou a aparecer. Apenas em maio de 1997, a emissora autorizou a gravação de um novo episódio de E Agora, Lulu?.

Em entrevista à Folha de S. Paulo em 25 de maio de 1997, Denise Fraga revelou estar feliz com a continuidade da atração. “Estamos esperando o Silvio Santos bater o martelo. Quando apareceu a possibilidade de gravar um segundo episódio, mesmo sem perspectivas, eu adorei. Gosto muito dessa personagem. Ela é alegre e eu posso fazer umas graças”, avisou.

O novo episódio de E Agora, Lulu?, chamado Emagrecer ou Não, Eis a Questão, contava com participações luxuosas de Ronald Golias, Jussara Freire, José Rubens Chachá e Suzy Rêgo. Bem cuidada, a produção utilizava recursos de linguagem cinematográfica, algo pouco usual na TV naquela época (ainda mais no SBT).

No entanto, a atriz mostrava estar receosa quanto ao futuro do SBT. Na época, a emissora passava por um grande corte e vinha desacelerando os investimentos em dramaturgia, trocando novelas nacionais por mexicanas. Era o fim da “era de ouro” iniciada em Éramos Seis. Denise revelou à Folha que gostava do SBT, mas que estava um pouco decepcionada. “É uma emissora que trabalha na retranca e pensa a curto prazo”, afirmou.

A decepção da atriz tinha razão de ser. O segundo episódio de E Agora, Lulu? jamais foi ao ar, e o programa foi cancelado. Depois disso, Denise Fraga deixou o SBT e retornou à Globo em 1998, participando de um episódio da série Mulher. No mesmo ano, integrou o elenco do humorístico Vida ao Vivo Show, ao lado de Luiz Fernando Guimarães, Pedro Cardoso, Débora Bloch e Fernanda Torres.

Em 1999, ela estreou sua principal criação na TV, o Retrato Falado, novamente em parceria com o marido Luiz Villaça. O quadro foi lançado em março de 1999, no Zorra Total, mas migrou para o Fantástico tempos depois. Em cada episódio, uma mulher contava uma história inusitada de sua vida, enquanto Denise a encenava. Ou seja, no Retrato Falado, a atriz conseguiu colocar em prática a proposta do E Agora, Lulu?: mostrar a realidade de pessoas comuns de uma forma divertida.

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