Alexandre Nero sentencia: “Gosto do proibido. Ninguém faz isso, não pode? Então eu vou fazer”

Publicado há 5 anos
Por André Romano
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Alexandre Nero, que dá vida ao protagonista Romero Rômulo em A Regra do Jogo, conversou com o Observatório da Televisão e contou que emagreceu 10 quilos para compor o personagem e, que está adorando emendar um trabalho no outro – ele saiu de Império direto para A Regra do Jogo. “E isso me proporcionou quebrar esse paradigma. Eu acho que é mais uma provocação também. Gosto do proibido. Ninguém faz isso, não pode? Então eu vou fazer. Depois do comendador tem que ficar longe? Então não vou ficar”, relata o artista.

Confira o papo:

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Romero Rômulo é um cara enigmático. O que você pode adiantar sobre esse personagem tão difuso?

“Ele foi criado na porrada, em um ambiente hóstil. Ele precisou conviver com pessoas que se odeiam. A mãe o expulsou de casa e ele foi morar com um pai adotivo, o Ascânio, personagem do Tonico Pereira, que é um bandido. O amor é uma coisa que não está muito relacionado a ele. Mas ele vai se apaixonar pela Atena (Giovanna Antonelli). Vai ser algo forte, uma paixão fulgaz. Os dois não valem muito. Eles mentem um para o outro. “

E, o envolvimento com a mocinha?

“Então, nesse meio tempo, ele se apaixona de verdade pela Tóia (Vanessa Giácomo). Aí vai surgir a vontade de querer ser bom. Ele vai se apaixonar por essa ideia de ser um cara do bem. Quando a gente ajuda alguém é bom, não é? É isso o que vai despertar nele. Até então, ele só fingia que ajudava todo mundo.”

O público irá descobrir de cara que ele não é tão mocinho assim?

“Em relação ao texto, não existe isso de seguir ao pé da letra. O papel é uma coisa e o que está em cena é diferente. As interpretações quem criam são atores com a direção. Nós optamos por não dar essa dualidade nele. O público vai saber que ele está mentindo algumas vezes, já em outras, não. Até porque ele poderá estar dizendo a verdade. Como ele mente sobre muitas coisas, acredito que vão pensar que tudo o que ele fala é mentira, mas não é isso. Em alguns momentos, ele estará falando a verdade e o telespectador ficará na dúvida. É uma trama muito legal. A ideia é não entregar a história de cara, deixar vários questionamentos. Verdade e mentira estão misturados.”

Como está sendo atuar em uma novela que está estreando uma nova técnica, a famosa caixa cênica? Uma espécie de reality show dentro da trama?

“A caixa cênica é um detalhe técnico que mais vale para os técnicos. Para nós, atores, ela existindo ou não, acredito que não influencia tanto. Ela tem mais a ver com a estética da Amora (Mautner, diretora de núcleo). A novela poderia ser feita fora da caixa cênica, mas essa técnica facilita porque ela pode gravar as cenas pela casa inteira sem precisar cortar. Mas a estética é o diferencial dessa caixa. Existe uma continuidade dos movimentos. Tem uma dinâmica. Agimos como se estivéssemos em casa. E isso deixa ainda mais real.”

Saíram muitas noticias falando de que você emendou um trabalha no outro. E, que isso prejudicaria a sua carreira. Como você lidou com isso?

“Muita coisa saiu falando a respeito disso. Existe um folclore em cima do ator, da Rede Globo, que depois de um sucesso você precisa dar um tempo na imagem, sabe?! Eu sou um trabalhador. Não vejo dessa forma. Eu trabalho e ponto. Eu estaria trabalhando de qualquer forma, seja aqui ou fora. Tive uma conversa boa com a Amora e com o João (Emanuel Carneiro). E isso me proporcionou quebrar esse paradigma. Eu acho que é mais uma provocação também. Gosto do proibido. Ninguém faz isso, não pode? Então eu vou fazer. Depois do comendador tem que ficar longe? Então não vou ficar.”

O Romero Rômulo tem algum traço do Zé Alfredo?

“Acho legal as pessoas verem o que é o trabalho de um ator. O trabalho é isso. O público verá ali outra pessoa. É completamente diferente. Claro que vão me chamar de comendador como brincadeira, mas não tem traço nenhum dele. É um personagem distinto. É claro que se fosse parecido, talvez eu não aceitasse. Mas o Romero não tem nada a ver com o comendador. E para o ator voltar logo em seguida com algo novo é um exercício maravilhoso.”

A imagem do comendador ficou muito presente na memória do público. Como foi se transformar em Romero Rômulo?

“Foi um trabalho meu. Já que era para descansar a imagem… Não era a minha que estava cansada e, sim, a do comendador. O meu bigode virou o bigode dele. O meu cabelo também. Criou-se uma imagem dele muito forte, mas, ao mesmo tempo, fácil de quebrar. Ela foi bem construída, toda aquela caracterização, um papel quase épico, teatral, distante da minha realidade… Era um nordestino, eu engordei… Era difícil fazer o pai do Caio (Blat) e da Leandra (Leal). E as pessoas acreditavam. Eu duvidei no início. E acho isso lindo. Isso é o trabalho de ator, de todos nós. Sabendo que ia emendar uma na outra, e as pessoas poderiam falar: ‘Ah, o Nero de novo!’, busquei um novo visual. É uma nova pessoa. Perdi 10 quilos porque eu quis. Achei importante. Tirei a barba, o cabelo, os trejeitos são outros. Poderia fazer o Romero com a mesma cara do comendador, mas o mundo de hoje é muito rápido, tentei ajudar o público nisso. A primeira leitura é: esse cara não é o comendador.”

Você acompanha tudo que acontece nas redes sociais?

“Eu acompanho as redes sociais, mas não fico fiscalizando. Ela está longe de ser o principal meio de informação. Principalmente por ser formada por muitos adolescentes. Ela não exprimi a opinião da maior parte dos brasileiros. Mas acho que dá para ter uma noção das coisas que estão acontecendo ao redor.”

Romero Rômulo é um cara dissimulado. Você sabe lidar com bem pessoas assim?

“Eu não sei ser mentiroso, isso não significa que eu não minta. Todo mundo mente. Se disse o contrário, isso seria papo furado. É algo que me faz mal a mentira, a falsidade. Eu evito ser sociável com pessoas assim. Não sou político com gente que é assim.”

Como foi ser convidado para ser protagonista de uma novela de João Emanuel Carneiro?

“Na verdade, eu me sinto muito orgulhoso. Eu não tenho uma relação em si com o João. Eu o conheço muito pouco. A gente deve ter conversado duas vezes até hoje. Tenho orgulho de mim mesmo, de ter chego aqui na Globo, com um papel que era uma participação, de ter crescido na novela e outras oportunidade terem surgido… As pessoas gostaram. E estou voltando para um protagonista. Mas eu só estou aqui por causa do comendador. É preciso dizer isso. Talvez sem ele, o João nunca tivesse me visto como um protagonista. Talvez ninguém. O grande mérito é do Aguinaldo. Ele apostou em um cara que ninguém apostou. Como ator, as pessoas já tinham apostado, até para bons papeis, mas não para protagonista. O Aguinaldo bancou. Ofereceram vários atores para o papel, mais conhecidos, mas ele não quis.”

Como foi substituir o Murilo Benicio? A principio, o Romero seria interpretado por ele?

“Tinha até um problema de datas inicialmente quando me chamaram. Não é segredo para ninguém que o Murilo ia fazer, mas não sei o porquê ele não fez. Só o Murilo pode responder. E eu não me sinto substituto de ninguém porque o Murilo não tinha gravado nada. Esse personagem não existia. É diferente de quando você pega algo no meio do caminho. É a mesma coisa com o comendador. Ele só existe graças a mim. Qualquer ator que fizesse poderia até fazer melhor, mas não seria aquele que o público viu. Aquilo foi eu que fiz. E esse Romero vai existir por minha causa. Se fosse qualquer outro ator, seria algo diferente. Até melhor.”

Como está sendo gravar uma novela das nove com uma mulher gravida? Não acha que você ficará ausente durante esse processo?

“Eu já tinha aceitado o papel quando soube que seria pai. A questão do filho… Bom, eu conversei com a Karen, a minha mulher. Falei para ela que estaria no meio do furacão. E ela falou: ‘Não! Vamos embora! Eu seguro aqui a onda’. E ela está mesmo empenhada e cuidando de tudo.”

Está curtindo a gravidez? Já veio aquela sensação de ser pai?

“Estou conseguindo curtir, sim. Mas, por enquanto, ela é que é a protagonista. Eu sou coadjuvante, quase um figurante. Esse é o papel do pai nesse período em que o bebê ainda não nasceu. Eu estou ali do lado sempre. Mas acho que na hora que nascer aí, sim, virá à sensação de ser pai, algo que eu ainda não sei bem o que é.”

 

Por André Romano
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